segunda-feira, 22 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

TRATAMENTO

Avaliar o estado geral do doente

• Iniciar o ABC (Airway - Breathing - Circulation), avaliando respectivamente a condição de permeabilidade das vias aéreas, a efectividade da respiração, o pulso e a perfusão, procedendo às manobras de reanimação, que se façam necessárias.

• Iniciar o controlo de sinais vitais e monitorização

• Manter o doente em decúbito dorsal para:

• Manter permeabilidade das vias aéreas

• Facilitar a circulação

• Facilitar procedimentos

• Administrar ADRENALINA 1:1000 (1 ml = 1 mg) por via intramuscular (preferencial em crianças, porque a absorção é mais rápida) ou subcutânea. Dose:

Crianças até 30kg: 0,015 mg/kg/dose (máx. 0,3ml)

Adolescentes e adultos: 0,2 a 0,5 ml/dose

No choque usar 0,1 ml/kg da sol. 1: 10.000 por via IV (Sol. 1:10.000 = 1 ml de 1:1000 + 9 ml de água destilada)

Em casos graves, quando há paragem cardíaca e não há acesso venoso, a adrenalina pode ser feita por via endotraqueal, na dose de 0,1 ml/kg, da apresentação 1:1000.

Em quadros ocasionados por injecção administrada por via intra-muscular (ou picada de insectos), metade da dose de adrenalina aquosa 1:1000 pode ser injectada no local, para inibir a absorção do agente alergênico.


Uso de corticosteróides na anafilaxia

No atendimento inicial, o valor do uso de corticosteróides é discutido, porém preconizado por diversos autores, os quais justificam o uso como forma de controlo da reacção inflamatória tardia. O consenso da AAAA propõe usar essas drogas, se a resposta ao tratamento inicial for insatisfatória ou, ainda, se o quadro inicial for grave.
Doses de corticosteróides:

Metil-Prednisolona - ataque: 2mg/kg - manutenção: 1 mg/kg/dose a cada 6 horas.

Hidrocortisona - ataque: 10 mg/kg - manutenção:20 a 40 mg/kg/dia, divididos em até 6 doses.

Prednisona - 1 mg/kg/dia em uma ou 2 doses.

Prednisolona - 2 mg/kg/dia em 2 doses.

Dexametasona - ataque: 0,25 a 0,5 mg/kg/dose - manutenção 0,5 mg/kg/dia em 4 doses.

QUADRO CLÍNICO

Anafilaxia apresenta-se, nos serviços de emergência, geralmente, configurando-se como um ou mais dos seguintes quadros iniciais: urticária, edema de Quinke (angioedema) e/ou broncoespasmo. A partir dessas manifestações, o quadro pode evoluir, rapidamente, para o choque anafilático e as suas consequências. As manifestações clínicas são semelhantes, seja uma anafilaxia verdadeira, seja um quadro anafilactóide.

Choque anafilático em instalação: inicialmente, o doente descreve sensações de formigueiro na região palmar, de morte iminente (forte mal estar). Normalmente, é nesse momento que o indivíduo procura ajuda. Não ocorrendo intervenção, o quadro vai agravando-se e o doente fica pálido, cianótico, com sudorese profusa. A urticária pode surgir no decorrer do processo. A respiração passa a ser rápida e superficial; o pulso torna-se mais fino e até imperceptível. O doente chega à hipotensão rapidamente. Há má perfusão central e periférica, causando depressão SNC e o choque propriamente dito. A apresentação clínica da anafilaxia é variável e o tratamento deverá ser instituído de acordo com essa variação. A rapidez com que são iniciadas as medidas terapêuticas é fundamental, impedindo a progressão do quadro e evitando complicações. É também importante estar atento após o controlo da situação, uma vez que o quadro pode ser bifásico. Além disso, os sintomas poderão recrudescer enquanto houver complexos antígeno/ anticorpo circulantes.

FACTORES QUE INFLUENCIAM NA GRAVIDADE DO QUADRO

• Tempo decorrente desde a exposição ao alérgeno: quanto menor o tempo decorrido entre a exposição ao alérgeno e o surgimento das manifestações clínicas, maior a probabilidade de ocorrer um quadro grave.

• Sensibilidade individual

• Quantidade do alérgeno

• Velocidade de contacto: a velocidade depende da via de penetração do alérgeno no organismo: infusão venosa, inoculação parenteral, distribuição pela pele, absorção oral, inalação.

PRINCIPAIS AGENTES

• Drogas: penicilinas, cefalosporinas, sulfas, quimioterápicos, anti-inflamatórios não esteróides.

• Alimentos: frutos do mar, leite, ovos, leguminosas.

• Substâncias inoculadas por insectos ou cobras.

• Infusões biológicas: proteínas humanas, derivados sanguíneos.

FISIOPATOLOGIA

Para que um indivíduo apresente um quadro anafilático, é necessário que tenha havido, previamente, o processo de sensibilização do organismo, levando à produção de anticorpos específicos. Ocorrendo uma reexposição ao alérgeno (antígeno), uma reacção antígeno–anticorpo é provocada, havendo degranulação de mastócitos, libertação de histamina, citocinas, bradicininas e leucotrienos, as quais orquestrarão a reacção alérgica, que resultará nas manifestações clínicas. As principais alterações provocadas pela reação anafilática, a nível tecidular são:

• Contracção da musculatura lisa de brônquios, intestino, útero e vesícula.

• Dilatação vascular, causando extravasamento de líquido para os tecidos, levando à urticária e edema de mucosas e também de algumas vísceras.

• A quantidade de sangue circulante diminui, levando a taquicardia e, algumas vezes, à falência cardíaca.

É importante lembrar que o intervalo entre o primeiro contacto com o alérgeno e a reexposição pode ser curto ou longo (4 a 5 horas). Nalguns casos, alérgenos medicamentosos, injectados por via parenteral, podem causar reacção anafilática desde a primeira exposição. Nessa situação, o anticorpo vai sendo utilizado à medida que vai sendo produzido.

ANAFILAXIA

As reações anafiláticas são manifestações clínicas que ocorrem como resultado de reacções imunológicas mediadas por IgE (do tipo I de Gell e Coombs), com apresentação súbita e grave. As chamadas reacções anafilactóides são causadas pelos “agentes anafilactóides”, que são substâncias capazes de produzir directamente a degranulação de mastócitos, sem que haja a participação de IgE. Dados da American Acadeny of Asthma, Allergy and Immunology (AAAA), em 2002, mostram que a incidência anual de reações anafiláticas, nos Estados Unidos da América, está em torno de 30 para 100.000 pessoas. O risco relativo de apresentação de quadros de anafilaxia é maior nos indivíduos portadores de asma, eczema, alergia alimentar, história de reações alérgicas a vários antibióticos, além de pacientes em uso de beta-bloqueadores.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Condicionantes da Vítima

- São as mesmas de qualquer vítima de trauma:

> Adulto vs. Criança vs. Idoso

> Vítima saudável vs. Vítima com patologia prévia
- Evento Diurno:
maior incidência de TCEs e TVMs

- Evento Nocturno:
maior incidência de traumatismos dos tecidos moles e das extremidades

- Zona habitacional vs. Zona laboral/comercial

“Golden Day”

A taxa mais elevada de sobrevivência verifica-se nas primeiras 24 horas

- 80% das vítimas com capacidade de sobrevivência serão salvas nesse período de tempo.

Lesões Traumáticas:
- Os colapsos de estruturas envolvem energias de grande intensidade

- As lesões podem ter gravidade variável, sendo que esta depende:
> da própria vítima
> da hora do dia em que o evento ocorre

Emergências Médicas em Vítimas Soterradas

Os colapsos de estruturas originam diferentes tipos de ferimentos com graus de gravidade variáveis
A detecção precoce do tipo de ferimento e pequenas medidas terapêuticas realizadas atempadamente podem fazer a diferença na recuperação das vítimas.

Potencial de Sobrevivência das Vítimas:
A sobrevivência das vítimas de colapsos estruturais depende:
- do tipo de colapso
- do tipo de traumatismos
- da fase do dia em que se dá o colapso
Mas principalmente…
- da duração de tempo em que estão confinadas/soterradas

domingo, 1 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pós-Graduação em Intervenção Humanitária e Catástrofe

Enquadramento

O desenvolvimento tecnológico teve como consequência o surgimento de catástrofes relacionadas com o comportamento humano que só no século XX, vitimaram mais de 200.000 milhões de pessoas.

É neste contexto que surge a medicina de catástrofe, procurando dar resposta e solucionar os grandes acidentes que afectam a sociedade. A medicina de catástrofe é um novo ramo de medicina, surgindo da conclusão de que a medicina de catástrofe não tem as mesmas características da medicina de urgência, nomeadamente a nível ético e na forma de actuar. Esta pós-graduação procura assim dar competências para os intervenientes, solucionarem situações complexas de catástrofe.

Segundo Romero Bandeira "A Medicina de Catástrofe traduz-se por um tipo de exercício da Medicina, integrada com Socorros Polivalentes com o seu componente sanitário em particular avançado, numa acção sectorial e local, tendo por finalidade aí prestar os cuidados médicos de urgência, estabilizar os doentes e medicalizar a evacuação, acompanhando-os no seu posterior transporte até ao Hospital.

Paralelamente é uma medicina de massas, com implicações logísticas e que deve ter em conta factores e imperativos extra-médicos, sem nunca se demitir das suas finalidades.

Pretende-se com esta Pós-Graduação

Capacitar os enfermeiros para desempenharem as suas actividades profissionais em situações de excepção.
Discutir o papel do profissional de saúde e estratégias de actuação com vista à consolidação da política nacional.
Capacitar os enfermeiros para o processo de gestão de situações de crise.
Conhecer os elementos conceptuais relacionados com a medicina de catástrofe.
Actuar de acordo com a legislação aplicável.
Aplicar e gerir os conhecimentos e as técnicas, em cuidados o mais adequados possível.
Incorporar o pensamento crítico e as técnicas de resolução de problemas em situações de catástrofe.
Ajuizar e tomar decisões fundamentadas.
Conhecer o ciclo dos desastres e a sua incidência na sociedade.
Adquirir conhecimentos sobre os princípios gerais da assistência a múltiplas vítimas.


Duração

O Curso tem a duração de 1 ano, 330 horas, sendo que 280 horas são teóricas e 50 horas são práticas (Ensino Clínico). Haverá interrupções lectivas nos seguintes períodos: Carnaval, Páscoa, Verão, Natal e Passagem de Ano.

Período de funcionamento

Quinzenalmente às Sextas-feiras e Sábados das 9h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30.

Início previsto do próximo curso: 22 de Janeiro de 2010.

Candidaturas: 29 de Novembro a 23 de Dezembro de 2009.

Afixação de resultados: 8 de Janeiro de 2010.

Matrículas: 11 a 15 de Janeiro de 2010.

Pós-Graduação em Enfermagem Pré-Hospitalar

Enquadramento

Este Curso de pós-graduação, é prioritário por ser premente atender às necessidades sentidas pelos enfermeiros, que actuam numa área tão específica e delicada para o bem-estar e sobrevivência dos cidadãos.
De facto, os contextos da prática em emergência, são evidentemente mutáveis, na medida em que os factores que os proporcionam, se encontram eles próprios em permanente alteração.
Num tempo em que, de novo, emergem algumas concepções biocêntricas do Cuidado, é adequado reafirmar que a competência técnica não é uma meta, mas um meio para um Cuidado Global. Para a sua consideração, o enfermeiro é, sem qualquer objecção conceptual honesta, um profissional estruturalmente bem preparado.

Pretende-se com esta Pós-Graduação:

Capacitar os Enfermeiros para que desempenhem as suas actividades profissionais em unidades de emergência hospitalar e pré-hospitalar, através de acções de abordagem colectiva e de abordagem clínica individual.
Discutir o papel dos profissionais de saúde, bem como as estratégias de actuação, com vista à consolidação da política nacional em matéria de emergência de saúde.
Capacitar os enfermeiros para o processo de gestão de unidades de emergência hospitalar e pré-hospitalar.
Capacitar os enfermeiros, sob o ponto de vista clínico, para a prestação de cuidados de enfermagem, à pessoa em qualquer fase do seu ciclo de vida, mediante uma abordagem integral das urgências e emergências.

Duração

O Curso tem a duração de 1 ano (320 horas). Haverá interrupções lectivas no Carnaval, Páscoa, Verão, Natal e Passagem de Ano.

Período de funcionamento

Quinzenalmente às Sextas-feiras e Sábados das 9h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30.

Início previsto do próximo curso: 22 de Janeiro de 2010.

Candidaturas: 29 de Novembro a 23 de Dezembro de 2009.

Afixação de resultados: 8 de Janeiro de 2010.

Matrículas: 11 a 15 de Janeiro de 2010.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

TRAUMA POR CORNADA DE TOURO


Tratamento:


O tratamento revolucionário das feridas por cornada de touro, foi introduzido por Campo Ligasteno, sendo ele o primeiro que se atreveu a transformar uma ferida traumática por corno de touro, numa ferida cirúrgica realizada por um cirurgião, onde se devem realizar os seguintes passos, que actualmente são obrigatórios no que se conhece como cirurgia taurina:
A ferida é tamponada com compressas e adesivo estéril, e realiza-se lavagem cirúrgica da área periférica (movimento do centro para a periferia).
Retirar a compressa ou o adesivo que tampona a ferida e realizar a irrigação da ferida com soro fisiológico, e lavar com betadine espuma
Trocar de luvas e colocar campos estéreis
Exploração digital da ferida e dos prováveis trajectos, para planear a incisão de exploração, a qual deve reunir uns requisitos para que através dela se possa: ressecar adequadamente os bordos da pele e tecidos lesionados; obter ampla exposição dos tecidos; ressecar todos os tecidos desvitalizados; obter hemostase cuidadosa; ampliar se necessário.
Deve-se retirar todos os detritos e ressecar os tecidos necrosados, fascia e músculos, este último deve-se ressecar todo aquele que não se contraria e que não sangre
Reconstruir por planos e dependendo do tempo decorrido, deixa-se a pele aberta.
É imperativo a colocação de uma drenagem, seguindo os princípios fundamentais, que regem a sua colocação, no sítio de maior declive da lesão, considerando a posição de decúbito que conservará o ferido nas próximas 48 horas.

Se a lesão for reparada na praça, é preferível fechar todos os planos, já que a ferida por mais contaminada que esteja, não tem tempo para que as bactérias proliferem severamente e se convertam em limpa contaminada. Não há que duvidar em administrar medicação antitetânica e antibioterapia anteriormente mencionada. A abordagem do trauma por cornada de touro, deve fazer-se de acordo com a área anatómica comprometida.

Ferida Cervical – A ferida cervical, cria sempre algumas dúvidas, na forma de abordagem, no entanto recomenda-se uma incisão vertical anterior ao músculo esternocleidomastoideu, os cirurgiões de urgência estão bastante familarizados. Em geral a incisão depende da lesão, cujo trajecto às vezes obriga a realizar as incisões existentes para a cirurgia especializada do pescoço, as quais devem ser conhecidas e abordadas por um cirurgião de urgência.
Se a lesão compromete a boca e o esófago, além da reconstrução primária, deve-se realizar uma gastrostomia para alimentação, pelo tempo requerido para a completa cicatrização. Quando a lesão é vascular com compromisso venoso unilateral, recomenda-se a ligadura, se a lesão é arterial e existe estabilidade hemodinâmica, impõe-se um desbridamento e uma sutura primária, ou colocação de enxerto venoso homólogo com jugular externa ou safena invertida.
Se existe instabilidade hemodinâmica do paciente, com perigo de morte por anemia aguda, impõe-se a ligadura. Na lesão da traqueia, os sinais e sintomas mais frequentes são: borbulhante através da ferida; dispneia; estridor; hemoptise; e enfisema subcutâneo. Deve-se realizar traqueostomia para assegurar a via aérea e a reconstrução deve realizar-se de forma primária.
Na lesão esofágica a reparação primária deve realizar-se nas primeiras 12 a 24 horas.

Ferida Torácica – O trauma de tórax é o que ocasiona maior numero de mortes na arena, em especial quando há trauma cardíaco e de grandes vasos. Podem ocorrer situações graves de tórax instável; contusão pulmonar; fracturas costais; e a presença de feridas em outros órgãos. No RX tórax há que analisar o compromisso ósseo e do parenquima pulmonar; tamanho do mediastino; e presença de ar; hemopneumotorax; enfisemas subcutâneos e atelectasias.
A fractura da 1ª costela ocorre aproximadamente em cerca de 10% dos traumatismos torácicos e está associado às formas mais severas de trauma fechado. As fracturas de costelas só acontecem em número de 3 a 4 nas primeiras, sendo menos frequentes nas 3 últimas. A contusão pulmonar pode apresentar-se com ou sem lesão óssea, mas é mais frequente que não ocorram fracturas, assim como enfisema subcutâneo, raramente está associado a fracturas ósseas, deve ter-se em conta que as contusões pulmonares que não são observadas do ponto de vista radiológico, podem comprometer severamente a função pulmonar, até ao ponto de algumas escolas proporem uma abordagem precoce com suporte ventilatório do tipo ventilação mandatória intermitente (SMV) e o uso de pressão positiva no final da expiração (PEEP).
A gasimetria arterial pode ser inicialmente normal, inclusive nos casos de contusões pulmonares importantes, no entanto se existir uma avaliação correcta, é possível detectar alterações analíticas, que permitem modificar a abordagem ventilatória, para evitar mortes prematuras ou aumento do compromisso pulmonar.
No trauma penetrante recomenda-se realizar sempre uma toracotomia, cuja modalidade depende do sítio da lesão, que permita uma boa exposição. Deve-se lavar exaustivamente a cavidade pleural e reparar as estruturas comprometidas com resseções parciais ou totais do parenquima pulmonar lesionado. Ao encerrar é mandatório o uso de tubo torácico de grosso calibre (drenagem torácica).

Ferida Abdominal – As feridas abdominais são as mais frequentes. Recomenda-se a realização de laparotomia exploradora, já que é mandatório realizar uma exaustiva revisão dos órgãos intracavitários, para não deixar passar lesões, que posteriormente aumentariam as complicações, e que poderiam levar à morte. Nas lesões gástricas e do intestino delgado, deve-se realizar o menor número de suturas possível. Na ferida hepática avalia-se a magnitude de acordo com o grau da complexidade. Nas feridas do baço, independentemente do grau recomenda-se a esplenectomia. Nas lesões genitourinárias deve-se tentar conservar a maior quantidade de tecido possível.
Merecem uma consideração especial as feridas do dorso, definido como a área compreendida entre as linhas axilares médias, desde o limite inferior da 6ª costela e a ponta da escápula até à crista ilíaca em ambos lados. Estas feridas colocam problemas de diagnóstico e tratamento devido às estruturas musculares e ósseas encontradas nesta zona, de onde se interpõe os órgãos torácicos, abdominais e retroperitoniais, impedindo no momento determinar se a lesão penetrou ou não a cavidade abdominal e/ou torácica e se existiu compromisso das estruturas de vital importância.
A abordagem deste tipo de ferida por cornada de touro, difere da abordagem das feridas cortoperfurantes nesta região, onde devido à baixa incidência de lesões orgânicas, existe a possibilidade muito alta de realizar laparotomia em branco. Na ferida posterior por cornada de touro, a possibilidade de lesão orgânica é muito alta pela magnitude do trauma, neste caso impõe-se de imediato laparotomia, para avaliar e corrigir as lesões orgânicas intra abdominais e do retroperitoneu.

Ferida Vascular – O trauma vascular como se comentou anteriormente é o mais frequentemente encontrado, nas festas tradicionais (largadas). É claro que toda a ferida por corno de touro na área vascular, deve ser explorada mesmo que não apresente os sinais clássicos de lesão vascular. No caso de existir lesão venosa nas extremidades avalia-se o retorno e se está preservado, pode-se realizar ligadura das veias comprometidas.
No caso de lesão arterial principal, é mandatório realizar rafia primária ou reseccção e anastomose término-terminal, assim como também enxertos sintéticos pela alta-frequência de complicações infecciosas.

Ferida Perianal
– É o tipo de trauma mais frequente nas corridas de touro com presença de matadores, devido à maneira como o toureiro aborda o touro. A ferida colo rectal deve ser abordada seguindo os critérios básicos de colostomia, lavagem distal e drenagem. No caso de existir destruição do esfíncter, dependendo do tempo da lesão se decidirá a reconstrução primária e colostomia derivativa.

Algoritmo:

Avaliação do estado de consciência
A – Desobstrução da via aérea, colocação de colar cervical
B – Respiração. Avaliação do possível trauma torácico. Se existir sinais de hipoventilação, ponderar entubação endotraqueal e ventilação mecânica com PEEP
C – Circulação. Avaliação dos sinais vitais e monitorização. Colocar 2 cateteres venosos de grosso calibre, e repor volémia (soros hipertónicos e coloides).
D – Avaliação neurológica da vítima, se necessário utilizar Trauma Score. Ver sinais neurológicos e colocar a vitima em maca coquille (se suspeita de trauma da coluna).
E – Expor a vitima. Observar todas as feridas e lavar com soro fisiológico (generosamente). Desinfectar todas as feridas e tamponar feridas com hemorragia. Iniciar antibióticos EV

TRAUMA POR CORNADA DE TOURO


Mecanismo:


O mecanismo da lesão explica-nos as múltiplas trajectórias que se encontram nas feridas por haste de touro. Quando o corno penetra no organismo, o touro levanta o toureiro/forcado com um derrote, neste momento apresenta-se a primeira trajectória para cima. O corpo do forcado/toureiro gira por princípios físicos, procurando equilibrar o seu centro de gravidade. Ocorre quase sempre um segundo derrote, produzindo-se a segunda trajectória, abaixo do organismo do toureiro/forcado e pode continuar lesionando sempre que não se desprenda do corno.
Além das cornadas como agente directo do trauma, também o corpo do animal e as patas, são responsáveis por lesões graves. Estas ultimas causam lesões cortantes e fracturas ao pisar o forcado/toureiro. O forcado e o toureiro sofrem lesões distintas devido à maneira como enfrentam o touro. O forcado geralmente sofre lesões frontais, posteriores, lombares e periniais. O toureiro enfrenta o touro durante mais tempo, pelo que as lesões na sua maioria, dão-se sobretudo em sorte suprema, sendo as feridas anteriores, a maioria na região Antero-interna do músculo direito no triângulo de Scarpa (pelo o que também é conhecido pelo triangulo dos toureiros); abdominais; cervicais e também feridas do perineo, por derrote do touro e deslizamento da haste pela região peritoneal. As enfermarias das praças de touros, apresentam na sua estatística casos de lesões na L3; penetração retroperitoneal; dissecção da veia cava inferior e rotura da base do mesentérico ao penetrar na cavidade abdominal.

Lesões:


As lesões ocasionadas pelo corno são variadas e algumas são consideradas especiais. As cornadas de acordo com a sua profundidade dividem-se em: pontada e cornada propriamente dita. Pontada, é a escoriação dermoepidérmica por fricção que produzem as hastes, ao penetrar o piton, apresenta-se quando o corno alcança o corpo do toureiro tangencialmente. A cornada consiste na penetração do piton, ao nível do plano aponevrótico. Existe uma cornada especial, que recebe o nome de cornada fechada, denomina-se assim as feridas produzidas pela haste do touro, que não lesionam a pele, mas sim todas as camadas profundas: a aponevrose, os músculos, vasos e órgãos internos. Requer que ocorra um relaxamento da pele e da aponevrose, o que vai permitir que o piton se cubra de pele e penetre, rasgando os planos profundos. Este tipo de lesão ocorre muitas vezes nos bandarilheiros (lesões no abdómen). Esta lesão deve-se tratar correctamente, já que passa inadvertida, e pode ocasionar graves complicações. Toda a lesão desta natureza deve intervir-se desde a contusão grau II em diante, porque se não se fizer nada, evoluiu para hematoma; abcesso e hérnia.

Infecção:

A ferida por haste de touro, é uma ferida suja, a qual tem uma incidência de infecção que vai desde 22% a 40%, segundo diferentes autores. A flora bacteriana é mista sendo das seguintes categorias: os anaeróbios, os aeróbios Gram positivo e o Gram negativo (quando há penetração do cólon e recto), bacilos entéricos Gram negativo. O antibiótico ideal é o metronidazol ou a clindamicina podendo também associar-se um aminoglicosido tipo gentamicina ou amicacina. É importante o cálculo adequado da dose de antibióticos para chegar a níveis tissudulares terapêuticos. Deve estar sempre presente que se a cirurgia se prolonga o paciente perde um volume importante de sangue, e que se deve administrar uma segunda dose, para manter os níveis tissudulares adequados.

TRAUMA POR CORNADA DE TOURO


Analise do Trauma Taurino:


O trauma taurino é ocasionado pelo touro, que como agente agressor, produz várias lesões, sendo por isso considerada politraumatizada, toda a vitima que seja colhida por ele.

O Touro como agente agressor:


O touro um vertebrado, mamífero da ordem dos ruminantes, da família dos covicornidos, da espécie bostaurus. Tem um peso estimado de 400 a 500 KG, sendo indispensável nas corridas que o seu peso supere os 435 kg, podendo chegar a 600 kg. Alcança velocidades de 30 a 50 km/h, com uma força representada pela sua massa corporal, que permite calcular que a sua cornada é capaz de suster 3 vezes o seu peso. Estas características de velocidade, peso e fortaleza, explicam a severidade e magnitude do trauma que produzem quando embatem contra uma pessoa com peso médio de 70 kg.
As lesões na sua maioria são produzidas pelas hastes do touro, as quais causarão menor ou maior dano, dependendo da sua configuração, aspecto externo da haste, trajectória e força do animal, que se incrementa com a velocidade que esta tenha. Os touros classificam-se em 3 características a ter em conta e quer são: o tipo; raça e a cornadura, sendo esta ultima a mais importante como factor desencadeante do trauma. A cornadura, conforme referido constitui um dos aspectos mais importante. O corno constitui para o touro de lide, uma arma essencial de ataque. O corno tem uma constituição que vai da cartilagem ao osso, na medida em que se vai desenvolvendo. As medidas que podem ser alcançadas oscilam entre 10 e 40 cm de longitude, com uma medida média de 22,5 cm de diâmetro e 15 cm de base. Estas medidas explicam as lesões multiorganicas, mutilantes, devastadoras que ocorrem quando ocorre uma cornada em plenitude.
A força desenvolvida pela haste do touro, no impacto é de enorme violência, os últimos aspectos da cornada, são os que mais nos interessam, ao referirmos a etiologia das feridas produzidas pelo corno do touro. As diversas variedades que têm uma cornada, caracterizam-se pela sua forma; colocação; direcção; grossura e defeitos do piton. Existe também uma classificação pelo comportamento do touro, existindo uma diferença considerável entre o touro de lide e o touro de “largada” (maioria das vezes é um touro experimentado e como tal considera-se ser um animal perigoso e que aprende a investir no toureiro e no capote).
A investida do touro depende do ângulo de visão que o touro apresenta em relação ao toureiro. Existem estudos sobre este tópico, o touro como outros animais não distinguem as cores, segundo o especialista inglês Walter Johnson “ a visão do touro, tem a forma de um cone de luz, projectado por cada um dos olhos”. Qualquer objecto visto por ele e situado na zona de intersecção dos raios, verá bifocalmente, isto dá lugar à presença de zonas mortas de visão, ou anticones. Estas são as zonas de imunidade, muito úteis para o toureiro.
O touro que já efectuou outras lides, já se encontra desperto, e mantêm o toureiro no seu melhor ângulo de visão. Por vezes acontece que o touro com a experiência que já adquiriu, já não investe no capote, tornando-se por isso bastante perigoso. Quando o touro sente que corneou, realiza um movimento de flexo-extensão da cabeça, que na festa brava recebe o nome de “derrote”, causando múltiplas lesões e trajectórias no corpo dos forcados/toureiros. É de grande importância para a equipa médica conhecer se os cornos do touro que causaram a lesão, eram cornos grandes ou pequenos, grossos ou delgados, para determinar, de uma forma aproximada a profundidade da ferida, já que é possível avaliar a ferida com o diâmetro que apresenta o orifício de entrada e naturalmente pela grossura do corno do touro.
As lesões por corno de touro, não se limitam ao rompimento directo dos tecidos, mas também podem produzir contusão, às vezes bastante grave, fora do perímetro alcançado pela ponta do piton.